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Prezados Ouvintes

2 jan

Livro: Prezados Ouvintes – Histórias do Rádio e do Pop Rock
Autor: Mauro Borba
Ano: 2001

Um livro muito interessante e bacana, onde Mauro Borba conta como foi o nascimento da Rádio Pop Rock, uma emissora de Porto Alegre, e comenta como surgiu seu interesse pelo mundo radiofônico.

Comenta com detalhes várias coisas, sobre outras emissoras do Rio Grande do Sul, mas com o foco nas emissoras em que ele trabalhou, e principalmente, na Pop Rock.

Além disso, ele conta um pouco sobre o cenário musical dos anos 80, e um pouco dos anos 90, contando a história de algumas bandas gaúchas, e outras bandas brasileiras. Como algumas delas alcançaram o tão sonhado: sucesso. O Mauro fala bastante dos shows que ele assistiu, tanto em Porto Alegre, como mundo a fora.

É muito interessante ver como foi o crescimento das rádios, como as músicas começaram a tocar, como muitas bandas, hoje mundialmente famosas, ficaram conhecidas naquela época. E principalmente, como o Rock Gaúcho começou a ter destaque fora do Rio Grande do Sul.

Um livro curto, de leitura fácil e agradável. Interessante e muito bem escrito.

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Ler Devia Ser Proibido

8 dez


Por Guiomar de Grammon

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente.

Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Um Mundo Perfeito

2 dez

Livro: Um Mundo Perfeito
Autor: Leonardo Brum
Ano: 2008

Enquanto lia esse livro, acabei encontrando um vizinho aqui no prédio e ele me perguntou o que eu estava lendo. Eu disse “Um mundo perfeito”, ele riu e me perguntou “e o mundo é perfeito?”. Eu respondi “na verdade é um pesadelo”. Ele riu de novo e achou que eu estava falando da minha vida.

O livro retrata muito bem isso, que a vida que é perfeita tem sim como se tornar um pesadelo. A narrativa se passa em uma pequena Ilha do Brasil, chamada Pedra-Luz, que fica perto da cidade de Vitória. A ilha é pequena, tem menos de 250 habitantes que vivem suas vidas pacatas em uma cidade que não acontece quase nada, mas que é cheia de mistérios, que envolvem muitas lendas e histórias que estão presentes desde a sua fundação.

Porém, ninguém estava muito feliz com a sua vida, sua aparência, com seu cotidiano, e todos desejavam que algo mudasse, para melhor. E quem não estava insatisfeito com nada, acabou sendo “induzido” pelos outros a querer que algo na sua vida mudasse.

Eis que um belo dia, o desejo de todos se realizou! E a vida perfeita então começou. E afinal, era o que todos queriam, não era?!

Não, não era. Os dias foram passando e as coisas foram realmente saindo do controle, e a ilha desapareceu do mapa, assim como todos os seus moradores. O noticiário de Vitória publicava o desaparecimento repentino de todos, enquanto na ilha, era como se nada estivesse acontecendo, tirando as mudanças de cada pessoa.

O tempo foi passando e as coisas foram ficando feias, e as pessoas perceberam que aquilo não era mais o que eles queriam. Eles queriam as suas vidas de volta.

Clarice foi a pessoa que conseguiu descobrir o que aconteceu, e resolveu tentar resolver a situação, visto que, nem ela mais conseguia agüentar o que por pura insatisfação acabou pedindo.

Depois de 6 meses de sofrimento e interrogações, o “mal” – que nada mais era do que uma criatura horrenda que era uma ave que se parecia também com um morcego – apareceu para dar “fim” na história de todos os moradores da cidade. A criatura não entendia o porque de as pessoas desejarem tanto serem melhores, e depois que seus desejos foram realizados elas queriam que tudo voltasse ao normal. A única coisa que poderia deter a criatura era o diamante azul, que era do conhecimento de todos, porém, muitos achavam que era apenas uma lenda da cidade. O diamante tinha o poder de realizar o desejo de qualquer pessoa que estivesse em com ele em suas mãos. Uma verdadeira caçada começou atrás do lendário diamante azul, para poder salvar a vida das pessoas da ilha.

E o resto eu deixo para quem tiver interesse de ler. A narrativa às vezes é um pouco confusa, pois os dias vão e vem, não seguem bem uma ordem cronológica, e a leitura acaba se tornando um pouco lenta em alguns momentos. Mas a mensagem que o livro quer passar é muito interessante. É bem aquilo: cuidado com o que você deseja, um dia você pode conseguir.

Minigramática

8 jun

Livro: Minigramática da língua Portuguesa Ilustrada
Autora: Cristina Klein
Páginas: 339
Ano: 2010

Depois de acompanhar toda a confusão que aconteceu com o MEC – Ministério da Educação com os livros que ensinam o Português errado, e alguns que dizem que 10 – 7 = 4, resolvemos fazer um post sobre uma Minigramática que foi lançada recentemente.

A vantagem desta Minigramática é que ela é mini,com isso podemos levá-la a qualquer lugar. Afinal, nunca se sabe quando precisaremos usar corretamente o Português, não é?!

A minigramática da Cristina já veio com a nova regra ortográfica e ensina o português de uma maneira fácil e ágil. Desenhos ilustram as situações, e depois de cada explicação há vários exemplos para melhor compreensão.

Para os alunos que estão se preparando para o vestibular é um achado, já que necessitamos de uma boa escrita para nos sairmos bem na redação.

Ou se você simplesmente gosta de Português, está a fim de aprender mais, ou apenas aprimorar sua fala e escrita, essa é uma ótima gramática.

Fica nossa dica aí.

Pobre Não Tem Sorte 1 e 2

15 maio

Livro: Pobre não tem sorte 1 e 2
Autora: Leila Rego
Ano: 2009 e 2010
Páginas: 208 e 341

O livro Pobre Não Tem Sorte 1 é o livro de estréia da autora brasileira, Leila Rego. E mesmo sendo de estréia não deixa a desejar. Muito pelo contrário, deixa com gostinho de: quero mais, e a Leila nos deu com o Pobre Não tem Sorte 2 – Alguma coisa aconteceu no meu coração.

Os livros contam a história da Mariana Louveiro, uma garota fútil e mesquinha que mora no interior de São Paulo. Mas tem um pequeno detalhe, a Mari é POBRE.

Um dia Mari acaba conhecendo Edu, um ginecologista que além de lindo é RICO. O melhor partido da cidade. E claro que a Mari se apaixona por ele.

Os dois passam por bons momentos juntos, impossível não se divertir com eles. Porém, no dia do casamento algo não programado acontece e vira a vida de Mari de cabeça para baixo.

No final do primeiro livro ela decide se mudar para São Paulo com sua melhor amiga, Clara, para amadurecer.

O segundo livro começa arrancando risadas com as metas mais fúteis do mundo que ela colocou como “primeiras obrigações” em Sampa. E depois com o seu currículo, porque afinal, a Mari é pobre, e não dá pra ficar em Sampa sem um emprego, não é?!

Ela recebe vários nãos, cria um blog, bomba na internet, arranja um emprego bacana, mas falta um detalhe: o Edu.

Um romance muito bacana com uma bela trajetória de amadurecimento da personagem, sempre deixando uma curiosidade que te prende do início ao fim.

Zodíaco

29 abr

Livro: Zodíaco
Autor: Robert Graysmith

Baseado em fatos reais, o livro Zodíaco conta a história do Serial Killer que aterrorizou a cidade de São Francisco desde 1968.

Escrito pelo cartunista de política do Jornal San Francisco Chronicl, Robert Graysmith. Apesar de ser apenas um cartunista na época, Robert se interessou e acompanhou toda a “trajetória” do Serial Killer desde sua primeira carta.

É um livro que impressiona por causa da quantidade de fatos mostrados nele. E também causa um pouco de indignação, porque a polícia não foi capaz de ver as pistas mais evidentes e com isso, deixou o culpado solto por mais de duas décadas, até que o maior suspeito acabou morrendo de causas naturais antes de ser julgado. Mas por “falta” de pistas, a polícia de São Francisco acabou arquivando o caso sem ir mais a fundo e sem descobrir o real culpado.

Com a pesquisa que foi feita para conclusão deste livro, o Robert teve acesso a todas as cartas, provas, indícios, pedaços de roupa, caligrafias e reproduz, pela primeira vez, tudo no livro. Desde reproduções das cartas, até os retratos falados e nomes dos suspeitos, possíveis suspeitos e todas as vitimas, com relatos das (poucas) sobreviventes e de algumas pessoas que chegaram a ver o Zodíaco “em ação”.

Além do livro, em 2007 lançaram o filme baseado no livro, que ficou muito bem produzido e super fiel ao que aconteceu.

Vale a pena, tanto livro, quanto filme.

A Vida na Porta da Geladeira

10 abr

Livro: A Vida Na Porta da Geladeira
Autor: Alice Kuipers

Para quem acha que um livro curto e simples não pode ter algo de interessante para transmitir ao leitor, tem que ler A Vida na Porta da Geladeira.

Um livro que te emociona do início ao fim, e você só consegue pensar em: o que será que vai acontecer? Qual será o próximo bilhete?

O valor das pessoas em nossa vida, talvez na correria do dia a dia não conseguimos perceber o quão importante algumas pessoas são para nossas vidas, e é triste perceber a falta que farão depois que elas se forem.

Mostra como só valorizamos as pessoas quando estamos prestes a perdê-las, ou pior, quando já perdemos.

Impossível não se emocionar com os breves recados deixados por mãe e filha na porta da geladeira.

Lindo e triste, porém um livro muito interessante.

Vida

7 abr

Livro: Vida
Autor:Keith Richards

O livro Vida, como já sugere o título, conta a história do Keith Richards – o autor. Guitarrista e membro fundador dos Rolling Stones.

Um livro para fãs, não fãs, apreciadores de música em geral, e para curiosos.

Conta a história do Keith, do cantor, compositor, marido, pai, guitarrista, do ídolo.

Toda trajetória dos Stones até agora. De como o sucesso subiu a cabeça do Mick Jagger. Mostra as pessoas simples que eles eram, e continuam sendo – tirando o Mick.

Todo o processo de criação dos discos, de como eles aprenderam a tocar, como as coisas foram fluindo sem eles nem ao menos perceberem. E todas as brigas.

Todos os prazeres e decepções do Keith, tanto em relação à banda, quanto em relação aos amigos, patrocinadores etc.

Como transcorreram os processos, as perseguições da polícia, todas as mudanças de país, os casamentos, o nascimento dos filhos, as mulheres que marcaram a sua vida, até a morte de um de seus filhos. Como era a sua relação com os pais e familiares. Além de toda a sua “relação” com as drogas, como foi difícil largá-las e o quão necessário foi. Todas as recaídas e a volta por cima.

Sexo, drogas e rock’n’roll. Literalmente.

Livro de Astro-Ajuda

2 abr

Livro: Livro de Astro-Ajuda
Autor: Thedy Corrêa

Esse livro do Thedy foi um livro que ao mesmo tempo que eu queria ler bem devagar para poder apreciar ao máximo, eu também não via a hora de devorá-lo rapidamente.

Gostei muito do livro, têm textos que falam da convivência dele com a “sua” banda – o Nenhum de Nós, com algumas crônicas, e até alguns episódios emocionantes vividos por ele.

Inicialmente pensei que a proposta do livro seria parecida com a do primeiro livro dele, o Bruto. Que era de poesias, mas não. O Livro de Astro-Ajuda me impressionou, porque fez com que eu risse, quase chorasse e conhecesse um pouco mais do dia a dia da banda e do próprio Thedy.

Além de alguns textos que ele já publicou no blog dele, a experiência da banda na China e também lindos desenhos do Astro, desenhados por ele mesmo.

Os 13 porquês

31 mar

Livro: Os 13 porquês

Autor: Jay Asher

Tenso. Triste. Interessante. São palavras que eu encontrei pra tentar descrever o livro do Jay Asher.

Quanto uma pessoa pode influenciar na vida das outras? Quanto nossas atitudes mexem com os sentimentos dos outros? Como um boato, falso, pode destruir a imagem de alguém? Para sempre?

Essas respostas podem ser encontradas nas 13 fitas que Hannah Baker gravou, destinadas a 13 pessoas de sua antiga escola. Por que antiga? Porque Hannah se suicidou. E como ela chegou a decisão final de seu ato? Está tudo gravado, explicando pra cada pessoa, como ela teve participação na vida dela. A maioria com motivos ruins, com atos que afetaram Hannah muito mais do que eles imaginavam. Menos o Clay…

Único garoto que não deveria estar nas fitas, mas estava. A pessoa que Hannah era apaixonada, e que tentou, de alguma maneira, mostrar que precisava de ajuda. Mas no fundo, ela já não queria mais ser ajudada. Bem que o Clay gostaria. Mas não deu. Ela não deixou!

Super recomendo essa leitura. Afinal, trata de um assunto que (deveria) interessar a todos. Um ótimo romance misturado com suspense que faz com que você fique vidrado no livro, e só queira saber de parar de ler quando realmente chagar no final.

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